Não é só sobre emagrecer: é sobre se reencontrar
Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional.
Hoje, iremos redefinir a relação com o corpo, saindo do foco do peso e entrando na autoaceitação e consciência.
Muitas pessoas acreditam que emagrecer é o grande objetivo, como se o número no visor da balança fosse capaz de medir felicidade, autoestima ou realização. Mas a verdade é que o corpo é apenas um reflexo de uma história muito maior — e cuidar dele não deve se resumir a caber em um padrão.
Nossa sociedade está obcecada com um número: o peso.
Transformamos a balança em um oráculo de sucesso ou fracasso, e a busca pelo ‘corpo ideal’ se tornou uma maratona exaustiva, frequentemente marcada pela frustração. Passamos a vida em ciclos de dietas, restrições e recaídas, acreditando que a felicidade e a saúde estão em perder algo. Mas o que acontece se pararmos de perseguir a perda e começarmos a buscar o ganho – o ganho de conexão com a nossa própria essência?
Muitos entram em dietas acreditando que, quando atingirem um certo peso, finalmente serão felizes. Mas o que acontece? Muitas vezes, o vazio continua. Porque não é sobre perder quilos. É sobre ganhar consciência, autoestima e liberdade.
Ao invés de perguntar “quanto quero emagrecer?”, experimente se perguntar:
👉 “O que eu quero reencontrar em mim durante esse processo?”
A verdade por Trás da Busca
Pode soar controverso, mas e se eu te dissesse que a sua busca incessante por emagrecer não é, na verdade, sobre perder peso?
Muitas vezes, essa meta é apenas um disfarce, um sintoma, de algo mais profundo: a perda de si mesmo.
O desejo de mudar o corpo é, frequentemente, um desejo de curar as feridas da autoestima e silenciar a voz crítica que exploramos nas colunas anteriores. O verdadeiro desafio não está no prato ou na academia, mas sim em se reencontrar.
Quando a meta é puramente emagrecer, colocamos nossa felicidade e nosso valor em algo volátil. É a voz crítica atuando: ‘Quando eu emagrecer, então serei feliz / amável / capaz.’
O problema é que, mesmo que o peso vá embora, as raízes do sofrimento (as crenças, as emoções não processadas) permanecem. O corpo muda, mas a insatisfação interna, não. A busca obsessiva pelo ideal é, muitas vezes, uma fuga da necessidade de olhar para dentro e se curar.
Por que falamos tanto de comida quando falamos de emoções?
Quantas vezes você já se pegou dizendo: “preciso de um doce para aliviar o estresse” ou “já que hoje saí da dieta, vou comer tudo mesmo”?
A relação com a comida, muitas vezes, vai além da fome física: ela se conecta com nossas emoções, nossas crenças sobre o corpo e até com a forma como aprendemos a lidar com prazer e culpa.
Culpa x Consciência
Quando a alimentação vira campo de batalha, cada refeição se transforma em julgamento: “comi demais”, “não deveria ter comido isso”.
Esse ciclo gera culpa, baixa autoestima e, paradoxalmente, mais descontrole. Mas existe outro caminho: o da alimentação consciente.
É quando você passa a se escutar, perceber os sinais do corpo e acolher suas emoções sem transformá-las sempre em comida.
É comer com presença, escolhendo com liberdade e responsabilidade — sem rigidez, mas também sem excesso.
Alimentação Emocional: vilã ou mensageira?
Não existe problema em comer motivado por uma emoção — todos fazemos isso.
O desafio está em quando essa se torna a única estratégia de lidar com sentimentos. A alimentação emocional não precisa ser vista como inimiga, mas como um sinal de que algo dentro de você pede atenção.
É Sobre se Reencontrar
Se reencontrar, nesse contexto, significa dar um passo para trás e perguntar: ‘Quem eu sou e o que eu preciso, independentemente do meu peso?’
É um convite para desistir da luta e abraçar a consciência. Trata-se de se liberar do ciclo de culpa, de honrar sua fome real (e não a emocional), de mover o corpo por prazer e não por punição, e de tratá-lo com gentileza, de que como você trataria um amigo querido.
O corpo é um parceiro na vida, não um inimigo a ser domado.
Quando você começa a comer com consciência (tema da nossa última coluna), a intenção muda. Você não come para preencher um vazio, mas para nutrir. Você não se move para queimar calorias, mas para sentir a vitalidade.
A mudança física, se for pra acontecer, acontece como uma consequência natural do seu novo estado de bem-estar interno.
O processo de cuidar do corpo é, na verdade, um caminho de reencontro com quem você é:
- Reencontrar sua força, quando descobre que pode se superar.
- Reencontrar sua leveza, quando aprende a se libertar da culpa.
- Reencontrar sua verdade, quando percebe que não precisa se encaixar nas expectativas dos outros.
- Reencontrar sua presença, quando aprende a estar no agora, escutando o que o corpo e a mente pedem.
A Jornada de Dentro para Fora
O autoconhecimento, a consciência das emoções e o silenciamento dos sabotadores nos conduzem a esse ponto. A cura do seu relacionamento com o corpo e a comida é a prova de que a mudança real acontece de dentro para fora.
Ao se reencontrar, você resgata o controle não sobre o seu peso, mas sobre a sua mente e a sua vida. E essa é a única transformação que é verdadeiramente sustentável.
Experimento terapêutico: Um convite
Da próxima vez que sentir vontade de comer fora dos horários, faça uma pausa e se pergunte:
-> “Estou com fome no corpo ou no coração?”
Esse simples questionamento já começa a mudar sua relação com a comida e com você mesmo(a).
💬 Não é só sobre o corpo que você transforma, é sobre a vida que você reconstrói ao se reencontrar com a sua essência.
Nos encontramos na próxima coluna para dar o nosso próximo passo rumo à autenticidade! De sua Psi Stefani Paes