Autor: Eneias Laurindo

  • Quando a Guerra é Interna: Homens Aprisionados pelo Prazer que Promete Liberdade

    Quando a Guerra é Interna: Homens Aprisionados pelo Prazer que Promete Liberdade

    Por Enéias Laurindo

    Recentemente, li o livro ‘A Jornada – De Meninos a Homens’, de JB Carvalho, e algumas reflexões presentes em um dos capítulos me confrontaram profundamente, especialmente sobre governo interno, identidade masculina e domínio próprio. O texto me fez perceber que muitos de nós, homens, aprendemos a controlar o mundo ao nosso redor, mas não aprendemos a controlar a nós mesmos — e é aí que começam as nossas maiores batalhas.

    Vivemos em uma geração de homens tecnologicamente avançados, porém emocionalmente despreparados para lidar com a força dos próprios impulsos. Crescemos acreditando que ser homem era ter desejo, liberdade e intensidade — ninguém nos disse que liberdade sem autogoverno é apenas uma versão moderna da escravidão emocional.

    Há homens que conquistam respeito profissional, dinheiro, família e posição, mas não conseguem governar a si mesmos. São fortes para o mundo, mas frágeis na solidão. Admirados em público, derrotados em silêncio. E silenciam porque foram treinados a acreditar que vulnerabilidade é sinônimo de fraqueza.

    Mas a verdade é simples: todo homem que não desenvolve domínio próprio será dominado por algo.

    “Melhor é o homem paciente do que o guerreiro; mais vale controlar o próprio espírito do que conquistar uma cidade.” (Provérbios 16:32)

    Governar o mundo é grandeza. Governar a si mesmo é sabedoria.

    E é exatamente nesse território que o vício sexual e a pornografia se tornam uma armadilha emocional e psíquica. A promessa é prazer, mas o que se instala é dependência.

    Do ponto de vista clínico, o excesso de estímulo sexual digital ativa o sistema de recompensa do cérebro de forma intensa e repetitiva, gerando tolerância, compulsão e perda gradual de sensibilidade afetiva e emocional. A dopamina dispara, mas a vida interna perde cor.

    Com o tempo, o prazer real se torna comum, quase sem graça; o afeto perde profundidade; a intimidade se torna técnica, não emocional; e a relação perde propósito e presença.

    O problema central não é o conteúdo em si, mas a função psicológica que ele ocupa.

    Por isso, a pergunta mais importante não é: “Você consome pornografia?”, mas sim: “O que você está tentando anestesiar, preencher ou escapar?”

    Enquanto a dor interna permanecer sem nome, o vício continuará tendo função.

    Se você é pai, entenda com seriedade: você não pode ensinar seu filho a vencer batalhas que você mesmo ainda foge de lutar.

    Não estamos falando de moral, mas de destino. Não de culpa, mas de identidade. Não de proibição, mas de legado.

    Homens curados geram filhos seguros. Homens presentes geram filhos inteiros. Homens governados geram filhos líderes.

    Se essa leitura te incomodou, parabéns. Inquietação é sempre o início da cura.

    Enéias Laurindo

    Psicanalista clínico e bacharel em Marketing Idealizador do projeto ‘O Despertar do Pai’

  • Eles só precisam de um olhar e um aceno em meio à multidão!

    Eles só precisam de um olhar e um aceno em meio à multidão!

    Na terceira semana de junho, foi realizada a feira pedagógica na escola dos meus filhos. Que semana intensa! Todos os dias eu pude estar presente, ao menos por uma hora, para prestigiar os trabalhos feitos pelas turmas dos meus dois meninos.

    Em um desses dias, reencontrei um grande amigo, hoje avô, que estava representando seu filho. O filho dele, médico, não conseguiu estar presente na feira para ver as atividades da própria filha. Percebi que esse meu amigo, já aposentado, buscava compensar um pouco a ausência do filho, sendo presença nos eventos escolares da neta.

    Semana passada, participei da homenagem ao Dia dos Pais na escola. Foi emocionante ver tantos pais ali, celulares à postos, registrando cada detalhe daquele momento único que, no próximo ano, o Google Fotos fará questão de nos lembrar.

    Como bom observador, fiquei atento não apenas às reações do meu filho, mas também às de outras crianças. Em meio à multidão, percebi a expectativa em cada olhar. Apesar de dezenas de pais presentes, apenas um olhar importava: o do próprio pai. Bastava um aceno, um sorriso, para que o coração da criança se enchesse de segurança e alegria.

    E, ao final do evento, adivinha quem encontrei? O filho do meu amigo, o médico. Cumprimentamo-nos e, como pais orgulhosos, apresentamos nossos filhos. Ali senti alívio e alegria: a filha dele encontrou o olhar do pai em meio à multidão.

    Nossa presença como pais é insubstituível. Ela supre qualquer ausência, em qualquer lugar. Muitas vezes, não precisamos de palavras grandiosas, mas apenas de um olhar firme, um gesto simples, um aceno cheio de amor.

    ✍️ Enéias Laurindo
    Psicanalista clínico e bacharel em Marketing. Idealizador do projeto ‘O Despertar do Pai’, dedica-se a ajudar pais a construírem conexões emocionais profundas com seus filhos.

  • “Pai, quando eu fizer aniversário, você me dá um celular?”

    “Pai, quando eu fizer aniversário, você me dá um celular?”

    Por Enéias Laurindo — Bacharel em Marketing | Psicanalista em formação |
    Colunista Parceria Positiva | Idealizador do projeto “O Despertar do Pai”

    Essa foi a pergunta que um dos meus filhos me fez outro dia, com toda a naturalidade e esperança de uma criança de 7 anos.
    Respirei fundo. Sorri. E devolvi com outra pergunta:
    — Por que você quer um celular, filho?

    Sem titubear, ele respondeu:
    — Porque todos os meus amigos têm.

    Não há resposta mais sincera — e reveladora — do que essa. Por trás do desejo pelo objeto, está o anseio por pertencimento. Ele quer fazer parte da turma, não ser o “único” sem celular, não ficar à margem do grupo. E quem sou eu para julgá-lo? Nós, adultos, também caímos nessa armadilha o tempo todo, não é?

    Mas a paternidade me ensinou uma lição preciosa:
    Nem tudo o que meu filho quer é, de fato, o que ele precisa.

    Um retrato do meu filho — sem celular

    De segunda a sexta, meu filho não tem contato com telas. O único momento em que ele usa um celular é aos fins de semana, por alguns minutos, no aparelho da avó.

    Resultado?
    • Ele está entre os melhores alunos da sala.
    • Lê e interpreta textos com fluidez e clareza.
    • Tem uma dicção impecável e ótima capacidade de argumentação.
    • Amarra os próprios tênis com destreza.
    • É ágil, curioso, criativo — e está plenamente presente.

    Esses resultados não são mérito apenas da ausência de celular, claro. Mas o espaço livre de estímulo digital constante permite que o cérebro dele se desenvolva com tempo, com calma, com profundidade.

    Criança precisa de tela? Ou de tempo?

    A pergunta que ficou ressoando em mim depois daquele diálogo foi:
    “Será mesmo que meu filho precisa de um celular… ou será que ele precisa de mim, de conexão, de presença, de afirmação?”

    O celular promete acesso, diversão, status.
    Mas entrega isolamento, distração e muitas vezes ansiedade.

    E o mais grave: ele rouba da infância o que ela tem de mais precioso — o tempo para ser criança.

    Não se trata de proibir, mas de educar

    Essa coluna não é sobre radicalismo. É sobre consciência.
    Não estou aqui para dizer que nenhuma criança pode ter um celular. Mas para convidar você, pai ou mãe, a refletir:

    O quanto dessa decisão vem da sua culpa ou pressa? E o quanto vem do que seu filho realmente precisa?

    Antes de entregar um smartphone, será que não vale entregar mais tempo de olho no olho?
    Antes de ceder à pressão do grupo, será que não vale fortalecer a identidade dele?

    O que quero que meu filho aprenda

    Quero que meu filho saiba que ele já pertence — à nossa família, à nossa fé, ao amor que temos por ele.
    Quero que ele aprenda que ser diferente não é um problema, é um privilégio.
    E quero, acima de tudo, que ele saiba que o mais valioso na vida não cabe numa tela.

    Talvez você também esteja ouvindo esse pedido por um celular em casa.
    Ou talvez esteja prestes a fazer uma escolha por conveniência, cansaço ou medo de ser o “único pai chato”.

    Eu entendo. Já estive aí.
    Mas lembre-se: educar é mais difícil do que entregar.
    Só que a recompensa é infinitamente maior.


    Com carinho,
    Enéias Laurindo
    Bacharel em Marketing | Psicanalista em formação | Colunista Parceria Positiva
    Idealizador do projeto “O Despertar do Pai”

  • Quando o Pai Falta: Feridas Invisíveis, Impactos Reais

    Quando o Pai Falta: Feridas Invisíveis, Impactos Reais

    Por Enéias Laurindo, Bacharel em Marketing, Psicanalista em Formação, colunista da Parceria Positiva e idealizador do projeto “O Despertar do Pai”


    Nas entrelinhas do choro de uma criança, da agitação de um adolescente ou da insegurança de um jovem adulto, muitas vezes habita um silêncio profundo: o silêncio da ausência paterna.
    Como pai de dois meninos e um amante da psicanálise clínica, tenho me dedicado a compreender — e ajudar outros homens a compreenderem — o quanto a figura paterna tem sido negligenciada, desvalorizada ou, em muitos casos, simplesmente ausente. E não me refiro apenas à ausência física, mas à
    ausência emocional, à falta de vínculo, à invisibilidade afetiva.


    O Peso da Ausência
    Você sabia que, só em 2020, mais de 6% das crianças nascidas no Brasil foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento? São mais de 80 mil crianças começando a vida com um “vazio” oficial — e muitas outras com pais presentes apenas no papel. (Fonte: Agência Brasil / IBGE)
    Esse é um número que não traduz toda a complexidade do problema, mas acende um alerta: estamos criando gerações inteiras marcadas por feridas silenciosas, que se manifestam de várias formas — baixa autoestima, dificuldades escolares, impulsividade, medos, dependência emocional e até
    comportamento violento.
    Segundo o site Psicologia Online, crianças com pais ausentes têm maior propensão a desenvolver distúrbios emocionais, como ansiedade, depressão e comportamentos de risco na adolescência.


    A figura paterna vai além do “provedor”
    Culturalmente, muitos homens foram ensinados que basta colocar comida na mesa e pagar as contas. Mas a verdadeira paternidade exige presença emocional, escuta ativa, validação e afeto. Um pai não é apenas quem sustenta, mas quem sustenta afetivamente. É aquele que olha nos olhos, que pergunta como o filho está de verdade, que ensina não apenas com palavras, mas com gestos de cuidado, respeito e amor.
    E quando esse pai não está — ou está, mas não se conecta —, a criança aprende a se virar sozinha. Só que esse “se virar” tem um preço: autossabotagem, sensação de não pertencimento, dificuldade de confiar e se relacionar.


    Precisamos acordar os pais adormecidos
    Depois de ler a “Crise do Menino” do autor Warren Farrell, tive a iniciativa de criar o projeto “O Despertar do Pai”. Não para apontar dedos, mas para estender mãos. Muitos homens são filhos de pais ausentes — ou de homens emocionalmente analfabetos — e estão repetindo padrões sem perceber.
    A proposta do despertar é: interromper esse ciclo, restaurar conexões e ajudar os pais a enxergarem a si mesmos como parte fundamental da vida emocional de seus filhos. Mesmo que tenham errado, mesmo que tenham falhado, sempre é tempo de reconstruir pontes.
    Um convite para refletir Se você é pai, pergunte-se: como meus filhos me enxergam? Como se sentem
    quando estou por perto? Será que me conhecem de verdade? E eu, conheço
    meu filho além da rotina?
    E se você é mãe, reflita: que lugar o pai ocupa na vida dessa criança? Está sendo estimulado a participar ou afastado pelas exigências da vida moderna ou pelas dores do passado?
    Pais não são peças opcionais. São fundamentais.
    Quando um pai desperta, um filho floresce.
    E quando muitos pais despertam… uma geração inteira se transforma.
    Se você deseja caminhar nessa jornada, acompanhe os próximos artigos.
    Vamos falar de feridas, mas também de cura. Vamos falar de falhas, mas principalmente de recomeços. Me siga no Instagram @eneiaslaurindo.


    Seja bem vindo ao Despertar,
    Enéias Laurindo

  • O Perigo Invisível: O Excesso de Telas e o Futuro Que Estamos Entregando às Crianças

    O Perigo Invisível: O Excesso de Telas e o Futuro Que Estamos Entregando às Crianças

    Você já se pegou em silêncio, observando seu filho hipnotizado diante de uma tela, seja no
    celular, tablet, TV ou videogame, e sentiu que algo ali não estava certo — mas não sabia
    exatamente o quê?

    Vivemos em uma era em que a presença digital é inevitável. O problema não está na
    tecnologia em si, mas no uso desmedido, desregulado e, muitas vezes, substitutivo do
    vínculo afetivo. O que era para ser ferramenta, tem se tornado babá, anestésico e até válvula
    de escape emocional — tanto para pais quanto para filhos.
    No livro A Fábrica de Cretinos Digitais, o neurocientista francês Michel Desmurget faz um
    alerta contundente: estamos criando uma geração intelectualmente atrofiada,
    emocionalmente imatura e socialmente empobrecida.
    Através de dados sólidos e décadas de pesquisa, ele mostra que o uso excessivo de telas está
    diretamente ligado à queda de QI, ao atraso na linguagem, à dificuldade de atenção, à
    explosão de ansiedade e depressão em crianças e adolescentes. Não se trata de opinião. É
    ciência.
    “Pela primeira vez na história da humanidade, o QI de uma geração está diminuindo. E essa
    queda coincide com o uso massivo de telas.” — Michel Desmurget

    Crianças pequenas expostas precocemente a vídeos rápidos, sons constantes e estímulos
    visuais intensos têm seu sistema nervoso sobrecarregado, o que pode comprometer funções
    básicas como concentração, controle emocional e empatia.
    Adolescentes, por sua vez, mergulhados em redes sociais e jogos, vivem conectados com o
    mundo inteiro — menos com eles mesmos e com quem está ao lado. A consequência é o
    aumento de isolamento, automutilação, sexualização precoce e crises de identidade.
    Estamos diante de uma infância sequestrada pela dopamina digital, e os efeitos colaterais
    são profundos, ainda que silenciosos.
    A verdade é que muitos pais, cansados, culpados ou sem saber o que fazer, acabam cedendo.
    E isso não é sobre julgamento. É sobre responsabilidade.
    Sou pai de dois meninos, entendo as pressões da vida moderna. Certa vez, fomos
    comemorar o aniversário do meu filho mais velho em um Parque de Diversões. Acabei
    ficando na supervisão do meu caçula, que na época tinha uns 3 anos.
    Levei-o no brinquedo com carrinhos que giram. Lá, encontro sentado no carrinho uma
    criança (com sua mãe filmando) olhando para baixo hipnotizado, utilizando o cellular.
    Fiquei profundamente chocado, lembro do rostinho dele até hoje. Ele estava jogando no
    celular no Parque de Diversões… Acredita nisso!?
    E se ao invés de uma tela, houvesse um olhar; se ao invés de mais tempo online, houvesse
    tempo de presença.
    Não se trata de proibir tudo. Mas de recolocar as telas em seu devido lugar. De lembrar que
    nenhuma tecnologia substitui o afeto, a escuta, o abraço, o brincar no chão.
    Aqui vão algumas sugestões práticas:

    • Estabeleça limites claros de tempo e horário para o uso de telas.
    • Dê o exemplo. Seu filho aprende mais com o que você faz do que com o que você diz.
    • Promova momentos offline em família: jogos de tabuleiro, caminhadas, refeições sem
      celular.
    • Converse sobre o conteúdo acessado. Ensine a pensar criticamente, mesmo diante de
      entretenimento.
      Falar sobre telas não é confortável. Exige revisão de hábitos, coragem para dizer “não” e
      disposição para olhar o que realmente está acontecendo com nossas crianças. Mas é
      urgente.
      Proteger a infância é também proteger o futuro. E o futuro que estamos construindo hoje
      exige pais presentes, atentos e dispostos a nadar contra a corrente, se for preciso.
      Porque um filho que tem atenção real, não precisa de tela para se sentir visto.
      Vai dar trabalho?!, mas vai valer a pena!!

      —
      Com carinho,
      Enéias Laurindo
      Bacharel em Marketing | Psicanalista em formação | Colunista Parceria Positiva
      Idealizador do projeto “O Despertar do Pai”

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