Autor: Stefani Paes

  • É Hora da Faxina

    É Hora da Faxina

    ✨ “É Hora da Faxina”
    Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional.
    Final do ano é hora de fazer a faxina na casa, colocar tudo o que é velho para fora, pintar a casa, decorar para as festas… é o momento de renovação. Segundo nosso Dicionário da Língua Portuguesa, Renovação é o ato de renovar; fazer ficar ou ficar outra vez como novo; alterar(-se) para melhor. Mas fazemos isso tudo, todo o final de ano, mas não podemos esquecer da faxina emocional.


    “Nós já estamos praticamente no final de dezembro…
    E dezembro tem sempre duas vertentes muito fortes:
    Ele é o mês em que a gente olha para tudo que viveu — porque é inevitável, estamos no último capítulo do ano. E, ao mesmo tempo, é o mês em que a gente decide o que não quer repetir no próximo
    ciclo.
    E aqui começa a nossa faxina emocional. Sabe por quê?
    Porque o ano muda… mas se não mudamos juntos, tudo se repete.


    A verdade é simples e direta: as decisões acontecem — ou você decide pela sua vida, ou a vida decide por você.
    E quando a vida decide por nós, normalmente ela decide sem pedir licença.
    E tudo aquilo que aconteceu porque você não se posicionou…
    É duro ouvir, mas é real: você não tem nem o direito de reclamar.
    Essa ideia de “deixa a vida me levar, vida leva eu”, da música do Zeca Pagodinho… É linda na teoria, na prática é outra.
    Mas na vida real, não funciona.
    Existem coisas que a gente precisa parar e resolver.
    Existem conversas que precisam acontecer.
    Existem decisões que precisam ser tomadas.
    E eu não sei qual é a sua faxina necessária.
    Eu não sei o que você precisa organizar para viver um 2026 melhor.
    Mas a minha palavra hoje é essa: não permita que o seu 2025 se repita em 2026.


    Você pode até pensar:
    “Mas meu 2025 não foi ruim, foi até um ano bom.”
    E eu fico muito feliz se foi abençoado, de verdade.
    Mas eu também acredito que é muito pequeno, perto de repetir o ano.
    Se foi bom, pode ser ainda melhor.
    E se foi ruim… você pode transformar completamente o seu próximo ano a partir de um
    posicionamento hoje.
    Porque dezembro é exatamente isso:
    transição, fechamento, intensidade.
    É o mês em que tudo se mistura: desafios e festas, momentos lindos e dores profundas.
    É o mês da retrospectiva;
    É o mês da saudade de quem se foi…
    E da expectativa do que está chegando.
    É o mês do balanço final — e nós estamos exatamente nesse meio.


    E esse meio é importante, porque: não é o que aconteceu com você que define onde você vai chegar…
    mas sim o que você decide fazer a partir disso.
    Você não é uma rotina.
    Você não é uma agenda cheia.
    Você não é o que está programado.
    Você é o que acontece em você quando a vida sai do controle.
    É ali que a sua essência aparece.
    É ali que você descobre força onde achava que só tinha cansaço.
    É ali que você percebe que é mais capaz do que imaginava.
    A vida surpreende: às vezes dói, às vezes cura, mas sempre revela.
    Revela potencial, maturidade, e uma força que talvez você nem reconheça em si mesma todos os dias.
    Então, hoje, eu quero te convidar a fazer a sua faxina emocional.


    Com carinho, com verdade, com responsabilidade consigo mesma.


    Pegue um papel e escreva: O que eu não quero levar comigo para 2026?
    Que peso, que mágoa, que desordem, que hábito, que relação, que crença… O que não cabe mais?
    E logo depois…
    Desenhe — nem que seja em palavras — como você quer que o seu novo ano seja.
    A faxina emocional serve exatamente para isso: tirar o que trava, para abrir espaço para o
    novo entrar.
    Eu desejo, de todo meu coração, que esses últimos dias de dezembro te tragam duas coisas: reflexões sinceras e decisões corajosas.
    Porque são elas que vão construir um 2026 muito melhor, muito mais leve e muito mais abençoado para você e para a sua família.


    E lembre-se: a vida é para ser vivida — e hoje é mais uma chance de recomeçar.
    Te aguardamos em 2026 ♡

  • Não é só sobre emagrecer: é sobre se reencontrar

    Não é só sobre emagrecer: é sobre se reencontrar

    Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional.

    Hoje, iremos redefinir a relação com o corpo, saindo do foco do peso e entrando na autoaceitação e consciência.

    Muitas pessoas acreditam que emagrecer é o grande objetivo, como se o número no visor da balança fosse capaz de medir felicidade, autoestima ou realização. Mas a verdade é que o corpo é apenas um reflexo de uma história muito maior — e cuidar dele não deve se resumir a caber em um padrão.

    Nossa sociedade está obcecada com um número: o peso.

    Transformamos a balança em um oráculo de sucesso ou fracasso, e a busca pelo ‘corpo ideal’ se tornou uma maratona exaustiva, frequentemente marcada pela frustração. Passamos a vida em ciclos de dietas, restrições e recaídas, acreditando que a felicidade e a saúde estão em perder algo. Mas o que acontece se pararmos de perseguir a perda e começarmos a buscar o ganho – o ganho de conexão com a nossa própria essência?

    Muitos entram em dietas acreditando que, quando atingirem um certo peso, finalmente serão felizes. Mas o que acontece? Muitas vezes, o vazio continua. Porque não é sobre perder quilos. É sobre ganhar consciência, autoestima e liberdade.

    Ao invés de perguntar “quanto quero emagrecer?”, experimente se perguntar:

    👉 “O que eu quero reencontrar em mim durante esse processo?”

    A verdade por Trás da Busca

    Pode soar controverso, mas e se eu te dissesse que a sua busca incessante por emagrecer não é, na verdade, sobre perder peso?

    Muitas vezes, essa meta é apenas um disfarce, um sintoma, de algo mais profundo: a perda de si mesmo.

    O desejo de mudar o corpo é, frequentemente, um desejo de curar as feridas da autoestima e silenciar a voz crítica que exploramos nas colunas anteriores. O verdadeiro desafio não está no prato ou na academia, mas sim em se reencontrar.

    Quando a meta é puramente emagrecer, colocamos nossa felicidade e nosso valor em algo volátil. É a voz crítica atuando: ‘Quando eu emagrecer, então serei feliz / amável / capaz.’

    O problema é que, mesmo que o peso vá embora, as raízes do sofrimento (as crenças, as emoções não processadas) permanecem. O corpo muda, mas a insatisfação interna, não. A busca obsessiva pelo ideal é, muitas vezes, uma fuga da necessidade de olhar para dentro e se curar.

    Por que falamos tanto de comida quando falamos de emoções?

    Quantas vezes você já se pegou dizendo: “preciso de um doce para aliviar o estresse” ou “já que hoje saí da dieta, vou comer tudo mesmo”?

    A relação com a comida, muitas vezes, vai além da fome física: ela se conecta com nossas emoções, nossas crenças sobre o corpo e até com a forma como aprendemos a lidar com prazer e culpa.

    Culpa x Consciência

    Quando a alimentação vira campo de batalha, cada refeição se transforma em julgamento: “comi demais”, “não deveria ter comido isso”.

    Esse ciclo gera culpa, baixa autoestima e, paradoxalmente, mais descontrole. Mas existe outro caminho: o da alimentação consciente.

    É quando você passa a se escutar, perceber os sinais do corpo e acolher suas emoções sem transformá-las sempre em comida.

    É comer com presença, escolhendo com liberdade e responsabilidade — sem rigidez, mas também sem excesso.

    Alimentação Emocional: vilã ou mensageira?

    Não existe problema em comer motivado por uma emoção — todos fazemos isso.

    O desafio está em quando essa se torna a única estratégia de lidar com sentimentos. A alimentação emocional não precisa ser vista como inimiga, mas como um sinal de que algo dentro de você pede atenção.

    É Sobre se Reencontrar

    Se reencontrar, nesse contexto, significa dar um passo para trás e perguntar: ‘Quem eu sou e o que eu preciso, independentemente do meu peso?’

    É um convite para desistir da luta e abraçar a consciência. Trata-se de se liberar do ciclo de culpa, de honrar sua fome real (e não a emocional), de mover o corpo por prazer e não por punição, e de tratá-lo com gentileza, de que como você trataria um amigo querido.

    O corpo é um parceiro na vida, não um inimigo a ser domado.

    Quando você começa a comer com consciência (tema da nossa última coluna), a intenção muda. Você não come para preencher um vazio, mas para nutrir. Você não se move para queimar calorias, mas para sentir a vitalidade.

    A mudança física, se for pra acontecer, acontece como uma consequência natural do seu novo estado de bem-estar interno.

    O processo de cuidar do corpo é, na verdade, um caminho de reencontro com quem você é:

    • Reencontrar sua força, quando descobre que pode se superar.
    • Reencontrar sua leveza, quando aprende a se libertar da culpa.
    • Reencontrar sua verdade, quando percebe que não precisa se encaixar nas expectativas dos outros.
    • Reencontrar sua presença, quando aprende a estar no agora, escutando o que o corpo e a mente pedem.

    A Jornada de Dentro para Fora

    O autoconhecimento, a consciência das emoções e o silenciamento dos sabotadores nos conduzem a esse ponto. A cura do seu relacionamento com o corpo e a comida é a prova de que a mudança real acontece de dentro para fora.

    Ao se reencontrar, você resgata o controle não sobre o seu peso, mas sobre a sua mente e a sua vida. E essa é a única transformação que é verdadeiramente sustentável.

    Experimento terapêutico: Um convite

    Da próxima vez que sentir vontade de comer fora dos horários, faça uma pausa e se pergunte:

    -> “Estou com fome no corpo ou no coração?”

    Esse simples questionamento já começa a mudar sua relação com a comida e com você mesmo(a).

    💬 Não é só sobre o corpo que você transforma, é sobre a vida que você reconstrói ao se reencontrar com a sua essência.

    Nos encontramos na próxima coluna para dar o nosso próximo passo rumo à autenticidade! De sua Psi Stefani Paes

  • A relação com o Corpo e a Alimentação – Comer com culpa ou comer com consciência?

    A relação com o Corpo e a Alimentação – Comer com culpa ou comer com consciência?

    Para muitas pessoas, a relação com a comida é uma batalha diária. Uma guerra silenciosa entre o desejo e a culpa, a restrição e o descontrole. “Eu não deveria ter comido isso”, “prometi que não comeria mais doces”, “estou falhando de novo”. Esses pensamentos ecoam em nossas mentes, transformando o ato simples de nos alimentar em um peso emocional. Mas o que aconteceria se a gente parasse de lutar e começasse a ouvir? O que significa, de fato, “comer com culpa” ou “comer com consciência”?

    Comida como Refúgio ou Punição?
    Em uma sociedade que constantemente nos diz o que devemos ou não comer, é fácil perdermos a conexão com as nossas próprias necessidades. A comida se torna um refúgio para as emoções difíceis ou uma punição por um deslize. Essa dança entre recompensa e culpa cria um ciclo que, no fundo, nos afasta cada vez mais de nós mesmos. Nesta coluna, vamos explorar a verdade por trás desse ciclo e como é possível reescrever essa história, transformando a alimentação em um ato de cuidado, e não de controle.

    Aprofundando o “Comer com Culpa”:
    O “comer com culpa” é alimentado pelos nossos sabotadores invisíveis. Aquela voz que diz “você não tem disciplina” ou “você é fraco”. Lembra da nossa última coluna? Essa mentalidade nos coloca em um ciclo vicioso. Restringimos, o que aumenta o desejo. Cedemos ao desejo, o que gera uma culpa avassaladora. E a culpa, por sua vez, nos faz querer punir o corpo, reiniciando a restrição. É um ciclo que nos deixa presos, sem espaço para a liberdade e a autoaceitação.

    Introduzindo a “Alimentação Consciente”:
    Em oposição, a alimentação consciente (ou mindful eating) não é um conjunto de regras, mas uma forma de se relacionar com a comida de maneira presente e gentil. É sobre notar o que o seu corpo realmente precisa, em vez de seguir o que a mente crítica ou a última dieta diz. É parar para sentir o cheiro, a textura e o sabor dos alimentos, e reconhecer os sinais de saciedade. É um convite para você voltar a ter uma conversa honesta com o seu corpo, sem julgamentos.

    O elo entre Emoções e Comida:
    E o que tem por trás do desejo de comer quando não estamos com fome? As emoções. O famoso “comer emocional” é uma forma de usar a comida para preencher um vazio interno, para acalmar a ansiedade ou para celebrar algo sem realmente processar o sentimento. A comida vira um curativo para uma ferida emocional, mas que não a cura, apenas a esconde temporariamente. Nossa jornada de consciência, que começou com a pergunta “quem sou eu quando ninguém está olhando?” e passou pelo reconhecimento das emoções e dos sabotadores, agora nos leva a uma das áreas mais íntimas da nossa vida: a relação com a comida. É aqui que o nosso aprendizado sobre as raízes das emoções e os pensamentos sabotadores se encontra com a alimentação. O caminho para a liberdade alimentar não está em uma nova dieta, mas em uma nova mentalidade. Na próxima coluna, exploraremos o que está por trás da busca por um corpo ideal, como ferramentas para nos conectarmos ainda mais com o nosso corpo e mente, e continuarmos a construir uma vida mais autêntica.

    Experimento Terapêutico:
    O convite de hoje é simples, mas poderoso: na sua próxima refeição, pare por um instante. Respire. Pergunte a si mesmo: “Estou com fome física ou emocional?” Tente comer sem culpa. Apenas observe. Essa pequena pausa é o primeiro passo para transformar a sua relação com a comida de uma batalha para um ato de amor-próprio.

    Te desejo pensamentos mais gentis e um olhar mais amoroso sobre si. E se você quiser saber mais sobre tudo isso que venho compartilhando com você, te convido a me seguir na página do Instagram @psi.stefanipaes

    Com carinho,
    Stefani Paes.

  • A voz crítica que vive em mim: sabotadores invisíveis

    A voz crítica que vive em mim: sabotadores invisíveis

    Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional

    Você fala com você como fala com quem ama?

    Existe dentro de nós uma voz que muitas vezes ninguém escuta — mas que nos acompanha o tempo inteiro.

    É aquela que diz:
    “Você não é bom o bastante.”
    “Você sempre estraga tudo.”
    “Por que você está assim de novo?”
    “Você já tentou e falhou. Pra quê tentar de novo?”

    Essa é a voz crítica interna, e ela pode ser muito mais poderosa (e cruel) do que qualquer crítica externa.
    E o mais assustador? Muitas vezes, a gente nem percebe que está se tratando assim.

    Pensamentos sabotadores: os ladrões da autoestima

    Esses pensamentos automáticos e distorcidos surgem em segundos. São como flashes de interpretação da realidade — e geralmente vêm carregados de crenças que você formou lá atrás, na infância, em experiências traumáticas, até mesmo de pessoas que falaram que você ‘não ia ser nada’ ou ‘alguém na vida’ ou até em comparações nas redes sociais.

    Alguns exemplos clássicos:
    “Se eu não for perfeita, ninguém vai me aceitar.”
    “Eu preciso agradar todo mundo para ser amado(a).”
    “Se eu errar, vão me rejeitar.”
    “Meu corpo é inadequado.”

    Essas vozes vão minando a sua confiança, sabotando decisões, relacionamentos e até seu autocuidado.
    E o pior: você começa a acreditar que elas são verdades absolutas.

    A verdade é: você não é o que pensa

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, aprendemos que pensamento não é fato.
    Mas, se não questionados, os pensamentos se tornam lentes — e você passa a enxergar tudo através deles.

    A sua autoestima, seu corpo, seu valor e até sua capacidade são distorcidos por aquilo que você pensa repetidamente.

    Como começar a se libertar? O primeiro passo é tomar consciência dessas vozes.
    Perceber quando elas surgem, o que dizem e como você se sente depois que elas aparecem.

    Exemplo prático:
    Você se olha no espelho e pensa: “Nada em mim é bonito.”
    Como você se sente? Triste, desanimado(a), sem vontade de se cuidar.
    Qual seria uma resposta mais saudável?
    “Hoje estou me sentindo diferente, mas isso não define meu valor.”

    Reescrever o diálogo interno é como reeducar um músculo que foi treinado a te criticar.
    É difícil no início, mas completamente possível com prática e compaixão.

    Existe uma citação atribuída a Henry Ford que “Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo”. Ela enfatiza o poder da mentalidade e da crença em si mesmo no alcance de objetivos. Se você acredita que pode, suas ações e esforços serão direcionados para o sucesso. Se você acredita que não pode, sua falta de confiança provavelmente o impedirá de tentar, confirmando sua crença inicial.

    A frase destaca a importância da atitude mental positiva e da autoconfiança no processo de realização. Acreditar em sua capacidade é o primeiro passo para alcançar qualquer objetivo, seja ele pessoal ou profissional.

    Em outras palavras, a forma como você percebe suas próprias habilidades e potencialidades tem um impacto direto no seu desempenho e nos resultados que você alcança.

    Entender ‘por que me sinto assim?’ – tema da nossa coluna anterior – passa diretamente por reconhecer a existência dessa voz crítica. Ela é uma das raízes que afetam nossas emoções e, como vimos, nossa autoestima, corpo e decisões. O primeiro passo para silenciar esses sabotadores invisíveis não é lutar contra eles, mas sim identificá-los, entender suas origens (muitas vezes ligadas às nossas crenças mais profundas) e, assim, começar a desconstruir seu poder. A liberdade de ser quem você nasceu para ser começa quando você desafia a voz que tenta te limitar.

    Experimento terapêutico:
    Durante essa semana, tente identificar uma frase crítica que você costuma pensar.
    Escreva. Respire. E responda com gentileza, como responderia a alguém que você ama.
    O que muda quando você fala com você com mais respeito?

    Da próxima vez que a voz crítica surgir, observe-a. Não a julgue, apenas reconheça-a e pergunte: essa voz está me ajudando ou me sabotando? Esse é o ponto de partida para retomar o controle.

    Na próxima coluna, continuaremos a explorar ferramentas e estratégias para fortalecer nossa voz interna positiva e construir uma narrativa mais compassiva e verdadeira sobre quem realmente somos. Vamos falar sobre algo poderoso: a relação entre autoestima e corpo — e por que amar a si mesmo não tem nada a ver com aparência.

    Até lá, com respeito e verdade.
    Stefani Paes.

  • Por que me sinto assim? A verdade sobre suas emoções

    Por que me sinto assim? A verdade sobre suas emoções

    Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional.
    Você já se pegou em uma montanha-russa emocional sem entender o porquê? Aquela irritação que surge do nada, uma tristeza persistente que te abraça sem motivo aparente, ou até mesmo uma ansiedade que não te larga. ‘Por que me sinto assim?’ — essa é uma pergunta que ecoa na mente de muitos, e é a ela que vamos buscar respostas hoje. O que eu faço com tudo isso que eu sinto?
    Tem dias que a gente acorda e parece que o mundo está mais pesado. Tem dias que a tristeza vem do nada. Tem dias que a ansiedade aperta o peito sem explicação.

    E aí você se pergunta: “Por que eu me sinto assim?”


    Sentir não é fraqueza — é humanidade


    Quantas vezes você já se perguntou:
    “Por que estou me sentindo assim, se nem aconteceu nada?”
    Ou então: “Por que eu explodo do nada?”
    “Por que esse aperto no peito insiste em aparecer?”


    Muitas pessoas crescem ouvindo que sentir raiva é feio, que chorar é sinal de fraqueza, que
    sentir medo é coisa de quem não tem fé. Mas o que ninguém nos ensinou é que toda
    emoção tem uma função — e nenhuma delas vem por acaso.
    A verdade é que as emoções que sentimos hoje são reflexos de experiências, histórias,
    memórias e interpretações que fomos acumulando ao longo da vida.
    Nenhuma emoção é aleatória. Todas carregam uma mensagem. Emoções são sinais, não são inimigas
    As emoções não vêm para te atrapalhar. Elas vêm para te avisar.
    São como sinais de trânsito internos, que mostram quando você precisa parar, desacelerar, mudar de direção ou seguir com mais presença.


    Você não precisa lutar contra o que sente.


    Muita gente acredita que precisa controlar a emoção, como se ela fosse um vilão. Mas a
    emoção não veio para te atrapalhar — ela veio para te sinalizar algo importante.


    🔹 A raiva, por exemplo, pode estar dizendo que você precisa colocar limites.

    🔹 A tristeza pode estar pedindo tempo para processar uma perda, uma frustração ou um
    cansaço emocional; revelando que você precisa desacelerar e se acolher.

    🔹 A ansiedade pode estar te mostrando que você está tentando prever ou controlar o que
    ainda nem aconteceu.

    🔹 O medo, muitas vezes, tenta proteger você de repetir dores antigas — mesmo quando o
    perigo já passou.


    Percebe? As emoções não são o problema.
    O problema é quando a gente não aprende a escutá-las.
    As emoções não são inimigas; são bússolas internas. Elas nos alertam sobre o que está acontecendo dentro de nós e ao nosso redor. E quando a gente não escuta?
    Quando não damos espaço para sentir, o corpo começa a gritar o que a mente tentou calar: isônia, ansiedade, dores inexplicáveis, crises de choro ou de raiva, desconexão com o corpo e com as pessoas.


    É como se o emocional tentasse por todos os meios ser visto.
    E aí vem a culpa: “mas eu nem tenho motivo pra estar assim.”
    Mas deixa eu te contar uma verdade: -> Você não precisa justificar o que sente. Você só precisa aprender a entender e cuidar disso.


    Mas, me explique um pouco melhor sobre isso!?…
    O que faz acender as ‘luzes de alerta’ emocionais? A resposta está, muitas vezes, em nossas crenças. Imagine que suas crenças são como óculos através dos quais você enxerga o mundo. Se você acredita que não é bom o suficiente (crença de desvalor), uma crítica pode gerar uma tristeza profunda ou uma raiva intensa, porque valida essa crença.
    Se você acredita que precisa ser perfeito (crença de perfeccionismo), um pequeno erro pode gerar uma ansiedade avassaladora. Nossas emoções não são aleatórias; elas são
    respostas lógicas ao que acreditamos – mesmo que essa crença não seja a realidade. Esta é a chave. Nossas emoções são, muitas vezes, reações a crenças profundas que temos sobre nós mesmos, os outros e o mundo. Essas crenças (muitas vezes inconscientes, formadas na infância ou por experiências marcantes) filtram a realidade e ditam como nos sentimos em determinadas situações.


    Emoções x Pensamentos
    O que você sente está profundamente ligado ao que você pensa. As emoções não precisam
    ser controladas, elas precisam ser compreendidas.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos com a ideia de que os sentimentos nascem a partir de um pensamento (muitas vezes automático e inconsciente). Ou seja,
    antes da emoção, existe uma interpretação da realidade — e é ali que podemos agir. Daí trabalhamos com um princípio simples e poderoso: pensamentos geram emoções, que geram comportamentos.
    Por exemplo: Se você pensa “ninguém gosta de mim”, vai se sentir rejeitada(o). E talvez acabe se isolando, o que só reforça ainda mais esse sentimento.
    É um ciclo. Por isso, observar seus pensamentos é um passo essencial para entender por que você
    sente o que sente.
    Você não é fraco(a) por sentir.

    Você é forte quando escolhe entender.
    Compreender que nossas emoções são reflexos de nossas crenças é um passo gigantesco
    na nossa jornada de autoconhecimento, iniciada na coluna anterior. Não se trata de anular o
    que você sente, mas de acolher e investigar.

    Nas próximas colunas, continuaremos a desvendar as complexidades do nosso mundo interno, explorando ferramentas e estratégias para reescrever essas crenças limitantes e cultivar emoções mais alinhadas com a vida que desejamos construir.
    O começo da virada emocional
    Quero te convidar para uma prática simples: Durante essa semana, sem julgamentos, convido você a parar por um instante. Respire fundo e tente ouvir a mensagem que sua emoção está tentando te passar.
    Toda vez que sentir algo forte (ansiedade, raiva, tristeza, frustração), se pergunte, com
    curiosidade e carinho:
    “O que eu pensei antes de me sentir assim?”, “O que essa emoção está
    tentando me contar?”, “Que crença ela está querendo revelar?”

    Você vai se surpreender com o que vai descobrir.
    Autoconhecimento emocional é isso: Não é se livrar da emoção. É aprender a dar nome,
    acolher e agir com mais consciência.
    Esse é o convite para a sua próxima descoberta. Continue conosco nessa jornada de
    mergulho nas suas próprias raízes!

    No próximo encontro…
    Na próxima coluna, vamos falar sobre aqueles pensamentos sabotadores que moram dentro da nossa cabeça e que, muitas vezes, controlam nossas escolhas — mesmo quando parecem “verdades absolutas”. E acabam criando barreiras invisíveis entre quem somos e quem poderíamos ser.


    Até lá, com carinho e afeto,
    Stefani Paes.

  • Quem sou eu quando ninguém está olhando?

    Quem sou eu quando ninguém está olhando?

    Por Stefani Paes – Psicóloga Clínica, especialista em TCC e Saúde Emocional da Mulher

    Existe uma pergunta que, quando feita com honestidade, tem o poder de nos virar do
    avesso: Quem sou eu quando ninguém está olhando?

    Não quem você mostra ser no Instagram. Nem quem você tenta parecer ser no trabalho, na igreja ou dentro de casa. Mas quem você é de verdade — com seus medos, suas dores, seus desejos, e até aqueles pensamentos que você finge que não pensa.
    Sabe aqueles momentos em que você está sozinha em casa, sem compromissos, e se pega fazendo algo que ninguém mais veria? Talvez dançando na sala, conversando com seus pensamentos, ou simplesmente em silêncio, sentindo o que realmente sente? Nesses instantes, longe dos papéis sociais e das expectativas, reside uma parte essencial da resposta para a pergunta do título.

    Olhar para ‘quem sou eu quando ninguém está olhando’ exige uma dose de vulnerabilidade interna. Significa aceitar que talvez a pessoa que reside na sua intimidade não seja exatamente aquela que você idealizou ou que os outros esperam.

    Mas é nessa aceitação, nessa compreensão profunda de si mesmo, que reside um poder imenso. É a partir desse lugar de autenticidade que a verdadeira mudança se torna possível, porque ela nasce de dentro para fora, alinhada com o seu ser mais profundo.

    Muitas mulheres vivem uma vida toda sem se encontrarem. Crescem tentando se encaixar em padrões, agradar todo mundo, carregar a culpa por tudo e se esquecer de quem são. O resultado? Um cansaço existencial que não passa nem com sono, um vazio que não se preenche com comida, com compras, com relacionamentos ou com curtidas.
    Mas e se eu te dissesse que o autoconhecimento é o primeiro passo para virar essa chave?
    Quando você começa a se olhar com curiosidade — e não com julgamento — algo muda. A
    dor vira ponto de partida. O medo vira sinal de que ali há algo importante. E até os pensamentos negativos começam a fazer sentido, porque você entende de onde eles vieram.
    Essa coluna nasce para isso: te ajudar a se ver com mais clareza, a se escutar com mais gentileza e a se tratar com mais respeito. Vai ser uma jornada. E toda jornada começa com o primeiro passo.

    A reflexão de hoje é apenas o primeiro passo de uma jornada que convido você a trilhar comigo aqui, nesta coluna. A cada encontro, exploraremos juntas as diversas facetas do autoconhecimento e da consciência. Acredito que a transformação começa de dentro para fora, e meu objetivo é fornecer um espaço para pensarmos juntas sobre como nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos. Compartilharei aprendizados, pesquisas e talvez até algumas experiências pessoais, sempre com o intuito de inspirar e provocar uma autoanálise positiva. Sejam bem-vindas a este nosso cantinho de crescimento! Falaremos sobre como identificar e trabalhar nossas crenças limitantes, como alinhar nossos valores às nossas ações, como cultivar a inteligência emocional e encontrar propósito em um
    mundo em constante mudança. Este será um espaço para aprendizado, reflexão e inspiração rumo a uma vida mais autêntica e plena.


    Então, hoje eu te convido a fazer silêncio por alguns minutos e escrever (ou pensar):
    Quem sou eu quando ninguém está olhando?
    Sem máscaras. Sem medo. Só você com você mesma.

    No próximo artigo, vamos falar sobre algo que habita o coração de quase toda mulher: as emoções que tomam conta da gente quando a gente não toma conta delas.

    Até lá! Com carinho,
    Stefani.